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| Rosa Mística - Sandra Honors 2011 |
A Rosa Como Símbolo da Abertura do Coração
O que vamos abordar agora está completamente ligado ao que foi dito anteriormente: trata-se do que chamamos a abertura do coração, elemento essencial num caminho iniciático.
Na Rosa-Cruz, a rosa está no centro da cruz, isto é, no ponto do coração do Cristo. Angelus Silesius, místico do século XVII, autor de uma obra intitulada O Peregrino Querubínico, fez da rosa a imagem da alma, como também do Cristo.
Mantenhamos, então, essa imagem da rosa, símbolo, entre outros, da abertura do coração... e mais particularmente da explicação simbólica da imagem do iniciado carregando um botão de rosa, que não deseja outra coisa além do desabrochar, como se o iniciado, em sua jornada interior, tivesse feito assomar em si o essencial. Esse essencial passa em verdade pela via do coração e a regeneração do Ser interior. O coração pode ser considerado como símbolo central dessa via, pois indica quanto,é importante para o homem saber amar a todos os níveis de seu ser, sendo o Amor Cósmico o nível mais elevado. Saber amar abre muitas portas, e num dos livros secretos dos gnósticos do Egito havia esta expressão significativa: Vós, os Filhos do Conhecimento do Coração.
O centro cardíaco é um dos 7 centros psíquicos maiores. Lembremo-nos que, conforme recomendam os ensinamentos rosacruzes, é preferível não se polarizar excessivamente nesse ou naquele centro psíquico, pois é mais natural que o despertar, ou mais precisamente o redespertar, desses centros se faça de modo harmonioso, na exata medida em que se realiza a evolução espiritual. Do mesmo modo, as qualidades psíquicas, correspondentes aos centros psíquicos, despertam progressivamente. Os 7 centros psíquicos têm todos sua importância e seu desenvolvimento deve ser harmonioso, a fim de que a circulação energética possa ser feita normalmente de baixo para cima e de cima para baixo.
O centro cardíaco ocupa, entretanto, um lugar interessante no plano dos 7 centros psíquicos. De cima para baixo ele é o 42, de baixo para cima é também o 4º Alguns falam dele como sendo o primeiro centro altruísta. Sua localização mediana, à meia-distância entre a parte de baixo e a de cima, confere-lhe um papel especial, pois a abertura do coração, como se costuma dizer, favorece o desenvolvimento dos outros 3 centros superiores e tem uma ação aquietadora e harmonizadora sobre os outros 3 centros inferiores são esses 3 centros inferiores que estão talvez exacerbados em nossa sociedade de hiperconsumismo e de hiperaglomeração emocional e especular.
É possível que a abertura do coração desenvolva o desejo espiritual de se ter uma relação mais íntima com a alma. É possível que ela permita ao homem compreender melhor a natureza do amor.
Podemos acrescentar também que quanto mais adentramos na luz cósmica, mais somos iluminados no interior de nosso ser, e mais desejamos ajudar os outros e compartilhar com eles essas bases de compreensão, de conhecimento e de revelação mistica que integramos em nós. De fato, quanto mais essa comunhão cósmica se dá, mais podemos amar e ajudar naturalmente e sem esforço da vontade pessoal, pois ajudar com esforço da vontade pessoal denuncia algo do conceito de poder.
Auxiliamos os outros na qualidade de transmissores, como canal psíquico e espiritual. A abertura do coração, isto é, essa rosa que aos poucos se abre simbolicamente em nós, nos ensina a bondade interior. Esse desenvolvimento, pelo fato de estar carregado de amor, vai muito além do mero desenvolvimento intelectual. Ele tende a uma evolução mais profunda do ser, que proporciona uma expansão do campo da consciência e às vezes uma hiperconsciência - uma hiperconsciência transitória mas, ainda assim, uma hiperconsciência - como também um desejo espiritual de comunhão interior, e é esta comunhão interior que permite que se tome consciência do sentimento de universalidade e de unidade.
Não é então de se admirar que, a despeito de todo seu conhecimento, alguns cientistas passem longe da sua verdade: eles trabalham tão somente com a cabeça.
Ora, reconhecemos essa simplicidade do coração, esse calor interior, na tradição mística ocidental. A rosa e a cruz, através de seus diversos sentidos simbólicos, nos propõem manter, tão intactas quanto possível, essas qualidades da via do coração, mesmo no decorrer de experiências difíceis e talvez até mais ainda durante elas. Os rosacruzes sabem muito bem que vivenciar isto é parte do campo da iniciação. As experiências a serem vivenciadas podem ser individuais ou coletivas, mas todas devem ser consideradas significativas, ou seja, plenas de sentido.
E o conjunto das experiências, por um lado cotidianas, com seu quinhão de alegrias e sofrimentos para cada um, e por outro lado místicas e espirituais, pode conduzir afinal à experiência fundamental da luz interior, e com isto a aceitação plena e inteira do Plano Divino.
Há um adágio que diz: Ao te engajares num caminho, pergunta-te se esse caminho tem um coração. Não se trata, claro, do coração fisico e nem do coração afetivo e emocional, mas do coração enquanto centro de integração de certas faculdades espirituais, esse coração centro do ser.
No limiar da Era de Aquário, sentimos, na psicologia espiritual, que o homem deve se reconciliar com seu coração. A inteligência sem coração, a ciência sem consciencia, nos levaram à situação planetária atual, com nossas sociedades a um só tempo muito analíticas e muito emocionais na superfície mas muito frias na profundidade. A abertura do coração pode dar um sentido e uma outra visão às descobertas da inteligência navida cotidiana, e o coração purificado, no sentido alquímico da expressão, torna-se capaz de ver aquilo que é em sua essência.
E como disse o poeta, numa visão muito idealista: Que é um coração puro senão aquele olho capaz de contemplar todas as coisas sem projeção, sem transferência com aquela qualidade da inocência que faz com que o mundo nele se reflita como sobre água límpida...
Paralelamente a esta visão poética, podemos recordar a explicação de Mircéa Eliade sobre o simbolismo, que ele considera como um dado imediato da consciência total, quer dizer, do homem que se descobre como tal, do homem que toma consciência de sua posição no universo; essas descobertas primordiais são tais que o próprio simbolismo determina simultaneamente a atividade do subconsciente e as mais nobres expressões da senda espiritual.
Fonte: http://antigasabedoria.blogspot.com/2008/04/rosa-smbolo-de-psicologia-espiritual.html

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