Domingo, 5 de Abril de 2009

As mulheres na cultura indiana - por Lu Dias

As Mulheres na Cultura Indiana
por Lu Dias BH







Não deve ser fácil, para uma mulher ocidental, viver num país cheio de crenças, superstições e rituais, onde ela, por exemplo, só pode pronunciar o nome do marido no dia do casamento e, jamais, poderá chamar sua sogra pelo nome.
Uma moça (ou menina) não pode escolher seu pretendente, pois o compromisso da união é com a casta a que pertence e não com seus sentimentos. E, para protegê-la contra a esperteza do coração, nada melhor que lhe providenciar um casamento, o quanto mais jovem possível. Por isso vemos tantas crianças viúvas, sofrendo o martírio do afastamento social.
Normalmente, a esposa vai morar na casa do marido, junto com os sogros e toda a família, servindo aos caprichos da sogra. Deve deixar suas roupas usadas para trás, levando apenas as novas. Essa é uma forma de não ficar apegada à vida anterior e levar sorte para a nova. O mais engraçado, nessa superstição, é que o marido não abre mão de coisa alguma. Trocando em miúdos: a mulher precisa se livrar do apego, mas o homem “never”. Isso que é democracia!!!
A esposa ainda deve usar o mangala (um colar que representa o compromisso de união, fidelidade, lealdade e boa sorte), assim como é um meio de mostrar que está casada. O mangala deve corresponder às nossas alianças, que pulam de uma mão para a outra.
E por falar em aliança (objeto que nunca usei), há uma razão, para mudar de uma mão para a outra. Vejamos (saindo um pouco da Índia):
1- noivos usam aliança na mão direita;
2- casados usam aliança na mão esquerda;
Como é perigoso o uso de aliança em certos tipos de trabalho, ela fica menos tempo na mão direita, passando, após o casamento, para a esquerda, uma vez que a grande maioria das pessoas é destra. Os sinistros são em número bem menor. Penso que, em razão da longevidade dos namoros e brevidade dos casamentos, essa norma deverá mudar logo…risos.
A situação da viúva é uma aberração, pois o “bendito” Código de Manu mais parece um instrumento de flagelo em sua vida. As leis embutidas em tal código dizem que, para honrar a memória do marido, uma viúva “decente” e exemplo moral para toda a família, jamais poderá conhecer o suor de outro corpo. Tem que definhar sozinha, honrando a memória do “digníssimo”, mesmo que esse tenha sido um carrasco em vida. Ela deve ser a personificação do bom exemplo, que é ser uma esposa ideal e devotada.
Mais terrível era a prática do Sati (Sutee), costume antigo, que obrigava a viúva a ser queimada na pira, junto com o corpo do marido. Esse costume teve início durante as invasões islâmicas, quando as viúvas eram queimadas com o esposo, para não se servirem ao invasor. Mas, depois, tal absurdeza passou a ser normal na vida da mulher hindu.
Mesmo que a Constituição indiana nada reze sobre a proibição de uma viúva casar-se de novo, o costume continua. A prática do Sati foi rigorosamente proibida, mas algumas mulheres, principalmente nas aldeias, ainda fogem da lei e a praticam (Eu gosto!).
Segundo certos historiadores, a prática do Sati possui algumas hipóteses:
o fato de o homem querer se proteger contra a mulher, com medo de ser assassinado, principalmente via envenenamento, numa sociedade onde a escolha do companheiro é feita pelos pais, ou seja, imposta, muitas vezes com uma cruel desproporção de idade (velho + criança);
o desinteresse da família do falecido em manter a viúva, que é vista como um peso morto para essa (ainda que ficando com todos os bens do filho morto).
Grande parte das viúvas, ainda nos dias de hoje, perde o seu prestígio dentro da sociedade hindu, passando por toda sorte de dificuldades. Ou elas ficam na casa da sogra como trastes velhos, ou na “casa das viúvas”, vivendo do que mendigam às margens do Rio Ganges. Devem usar o sari de cor branca, cuja cor só é notada, quando a viúva goza de uma boa posição (normalmente nas classes altas) junto à família, pois as esmolambadas viúvas do Ganges parecem vestir a cor cinza encardida.
Embora a atual presidenta da Índia, Prathiba Patil, seja uma viúva, as superstições, contra essas, continuam arraigadas, como dantes. A ignorância paira acima da lei.
Na Índia, existem bem mais meninos que meninas, fato raro, em quase todo o mundo. E a resposta, para quem quiser saber o porquê, está no fetocídio (retirada ou expulsão do feto, por “livre” vontade), apesar de proibido por lei (já sabemos que as leis na Índia são tão obedecidas, quanto as que vigoram no trânsito).
As famílias continuam prestigiando o nascimento do sexo masculino. Sendo uma tristeza para a linhagem o fato de ganhar só meninas (sem falar no tormento causado pela sogra).
O fetocídio agravou-se com a utilização do exame de ultra-sonografia nas mulheres grávidas, pois ficam conhecendo o sexo do bebê com antecedência. Sendo menina, os pais pedem a sua retirada aos médicos, como se tratasse de um cancro.
Mesmo nas classes mais altas, a visão é a mesma.
O fato é tão grave, a ponto de o governo do país já se preocupar com tal desproporção entre os sexos. E, como medida radical, o exame só pode ser feito em mulheres que tragam risco na gravidez. Mesmo assim, muitos médicos praticam o aborto seletivo, infringindo a lei. Nas camadas, que não podem pagar um obstetra, a criança (menina), na maioria das vezes, é jogada no Rio Ganges, logo após o nascimento.
O mais triste é saber que, em qualquer um dos casos, a decisão é tomada pelo marido, sem que a mulher possa participar, pois sua subserviência a ele não permite contestação. Quer queira ou não, terá que obedecer.
A escassez de mulheres na população indiana já está levando ao compartilhamento de esposa. É comum o irmão mais velho compartilhar sua esposa com os mais novos e com os primos.
Tem-se perguntado sobre o que é ser rechaçada, expressão muito usada na novela “Caminhos das Índias”. Significa que a mulher não será aceita por nenhum pretendente, normalmente por problemas de ordem moral. Como as famílias hindus não aprovam que os filhos fiquem solteiros, ficar encravada é uma triste sina. A vítima será humilhada por todos os entes familiares.
Até a presença de mulheres nos funerais de cremação é impedida. A justificativa é de que elas são muito frágeis na demonstração de seus sentimentos, fato que atrasa a reencarnação do falecido. Penso que elas choram mais por pensar no destino que as aguarda. E não é para chorar?
Mas, como tudo na vida possui uma janelinha positiva, a mulher é tida como a representação de Laksmi (deusa da prosperidade), por isso ela é responsável por guardar a chave do cofre. Resta saber se ela tem acesso ao cofre…
Nota: este texto é uma homenagem a nossos leitores de Portugal, em especial para Vila Real, sempre presente aqui no blog. Obrigada, amigos!
Namastê!




Publicado por Lu Dias Bh \\ tags:
Imagem: Mulher Indiana - Sandra Honor
link para o texto: http://www.almacarioca.net/as-mulheres-na-cultura-indiana-lu-dias/

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008


Não basta preservar a floresta


Artigos 07/06/2005 Autor: Maysa Provedello Fonte: Revista Desafios

A Amazônia abriga 20% de toda a água doce do planeta, ocupa 5% da área do globo terrestre, guarda 30% das florestas tropicais ainda vivas, mas é habitada por apenas 3,5 milésimos da população mundial. A grandiosidade da região é inversamente proporcional à sua fragilidade e vulnerabilidade perante a antiga ameaça da mão do homem. Mas a velha idéia de preservar a floresta intocada já está ultrapassada. O futuro é explorar o que ela pode oferecer enquanto está viva, em pé. O assunto foi apresentado detalhadamente no livro Brasil - Estado de Uma Nação, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a ser lançado neste mês, mais especificamente no capítulo "Amazônia: desenvolvimento e soberania", coordenado pela geógrafa Berta Becker.

Desafios - A senhora cita em suas palestras e livros que o dilema da Amazônia é a conservação com inclusão social. No que ele difere do conceito preservacionista dos anos 90?

É uma diferença conceitual, mas bastante importante. Preservação é diferente de conservação. Preservar é não tocar, é deixar como está. Conservação é utilizar sem destruir. E eu prefiro a conservação com inclusão, acredito piamente no uso não-destrutivo do patrimônio natural de modo a gerar trabalho e renda sem deteriorá-lo.

Desafios - E depois de tanta experiência na academia e em consultorias, a senhora acredita que é possível, operacionalmente, atingir o objetivo da conservação com inclusão?

Acredito. É possível, mas é difícil. São muitos os obstáculos, especialmente a questão fundiária, que no Brasil é estrutural e está ligada ao poder. As elites, historicamente, querem ter terras, e não estamos falando só do momento presente. Querem terras não somente para a produção organizada, mas porque significa poder, status, reserva de valor para o futuro. No Brasil e em boa parte da América Latina, o crescimento da produção agrícola foi baseado na expansão da fronteira, ou seja, o crescimento sempre foi feito a partir da exploração contínua de terras e recursos naturais, que eram percebidos como infinitos. O problema continua até hoje. E a questão fundiária está intimamente ligada a esse processo, em que a a terra dá status e poder, com o decorrente avanço da fronteira da produção agrícola, que rumou para a Amazônia nos últimos anos.

Desafios - Mas a modernização agrícola, pela lógica, não deveria ter diminuído o avanço da fronteira, pois atingiu mais produtividade num mesmo espaço de terra?

A modernização da agricultura propiciou, por um lado, maior produtividade nas lavouras, mas fez aumentar a velocidade na incorporação de novas áreas, apoiada também pelas tecnologias da informação. É a chamada cronopolítica, que começa a superar até a geopolítica. A iniciativa privada sabe muito bem se mover nessa nova velocidade, enquanto o Estado ainda se mexe no mesmo tempo pretérito. Portanto, acaba sendo criado na Amazônia todo um sistema logístico, de armazéns, cidades, redes de comunicação, que permite uma rapidez muito maior da expansão da fronteira. Isso é muito nítido por lá, basta chegar em qualquer cidade para perceber, pois são os empresários que dominam tudo, que instalam e comandam essa logística, e o Estado está sempre atrás.

Desafios - Além da questão histórica da terra, quais outros fatores dificultam a conservação com inclusão?

Sou adepta da tese de que a floresta amazônica só vai ser conservada quando lhe for atribuído um valor tal que a torne competitiva, com o valor que ela pode ser capaz de gerar enquanto está em pé. Seus produtos precisam assumir preços de commodities.
Desafios - A senhora se refere também aos produtos de extrativismo e à prestação de serviços ambientais, como os projetos de venda de crédito de carbono?
Também estou falando dos serviços, mas não tenho muita paixão por essa alternativa, porque não gera trabalho direto e renda para a população. E também porque implica a existência de um certo controle externo sobre nossas florestas, porque, se alguém paga por algum serviço, vai querer cobrar. Não me sinto maravilhada com a idéia de vender créditos de carbono, porque não leva dinheiro para a mão da população, que quer se desenvolver, crescer. Dou preferência ao aproveitamento das riquezas da floresta, pois já existem mercados a serem explorados e muitos outros a serem abertos. Há vários exemplos de campos comerciais que estão prontos para serem aproveitados. O ramo biomédico, por exemplo, embora seja difícil concorrer com os grandes laboratórios mundiais. O da nutracêutica, que é gigantesco, e para quem não sabe diz respeito aos alimentos naturais que geram bem-estar e saúde. E a dermocosmética, que algumas empresas brasileiras estão começando a explorar muito bem, inclusive internacionalmente. A alta tecnologia precisa entrar na Amazônia para permitir a descoberta de novos produtos e mercados.

Desafios - E a população está preparada para tal mudança?

A região amazônica, primeiramente, não pode ser encarada como algo único. É um caldeirão de diferenças sociais, é grande e diversa. Mas uma coisa é comum: o nível de aspirações se elevou enormemente para todos os atores sociais daquela região, desde empresários, agricultores e governos, até ribeirinhos, índios e pequenos produtores agrícolas. Todo mundo quer se desenvolver, é um caminho sem volta. Acabou a fase de ocupação pura e simples. É urgente a concepção de uma política de consolidação do desenvolvimento. Por isso eu acredito que estão preparados e muitos até mobilizados, em diferentes níveis, trabalhando em conjunto para melhorar aqui e ali.

Desafios - A senhora já afirmou que está na hora de o movimento ambientalista fazer uma auto-avaliação e rever alguns de seus princípios básicos. Quais seriam esses pontos a serem revistos?

O movimento ambientalista foi muito importante, fundamental, eu diria. Ele foi o responsável por barrar o avanço da fronteira agrícola e a depredação madeireira da região amazônica nos anos 90. Certamente atingiu os objetivos a que se propunha. Hoje, 30% do território amazônico está protegido, o equivalente à área da Espanha. Mas o mundo mudou e a Amazônia também, assim como os atores envolvidos. Agora eles precisam de trabalho, emprego, dinheiro, pois querem consumir produtos e serviços, desejam fazer parte da nação, como qualquer outro cidadão. Não dá mais para pensar que basta proteger áreas para solucionar os problemas, porque os conflitos aumentam e resultam em casos e mais casos de violência e morte. Não basta delimitar áreas protegidas para solucionar a questão da Amazônia. É necessário passar do preservacionismo para o conservacionismo.

Desafios - Essa tendência de mudança é mundial?

Ninguém fala disso abertamente, mas eu acredito que sim. Prova disso são os selos criados para atestar que os produtos vendidos no exterior foram produzidos de maneira a não agredir a natureza. Eles são um instrumento de trabalho nesse sentido. Ou seja, o capital natural que foi preservado na década de 90 pode agora ser utilizado. O que nos resta é encontrar as formas de explorar isso tudo da melhor forma possível.

Desafios - Ciência e inovação podem ajudar nesse processo?
Ciência, tecnologia e inovação são fundamentais. Primeiro porque patrimônio amazônico ainda não é conhecido e precisa ser considerado também em termos de América do Sul. Quando se pensa em geopolítica, é mais relevante atuar em bloco com outros países, trabalhar em conjunto, com mais presença internacional. A ciência é peça-chave para desenvolver tecnologias criativas para a implementação de um novo modelo de uso dos recursos naturais. Temos de encontrar saídas. Um bom exemplo de tecnologia aplicada na Amazônia é a produção de biodiesel a partir do óleo de dendê, que é tem origem na Bahia mas está sendo plantado em áreas desmatadas da Amazônia. Não vejo o menor problema nisso, até acho ótimo, mas seria melhor ainda se fossem desenvolvidos mecanismos para criar biodiesel a partir de outros produtos da floresta que não precisassem de área plantada, mas sim de extração organizada. Para isso é necessária a presença forte do Estado, organizando essa pesquisa, para tornar realidade a produção.

Desafios - A ausência do Estado é nítida na região amazônica. Como ele poderia se fazer mais presente, uma vez que aquela é uma área tão vasta e de difícil acesso, com pouca densidade demográfica?

A população amazônica pede a presença do Estado. Depois de muito ouvir aqui e ali eu me arrisquei e codifiquei como é que o Estado pode se fazer presente na Amazônia sem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Inicialmente é essencial definir com clareza as regras do jogo. Para quem é proprietário, para quem é beneficiário de assentamentos, para quem vai ser funcionário. E, à medida que ficarem claras as regras do jogo, elas têm de ser cumpridas e o Estado precisa trabalhar no monitoramento desse processo. Esse é o cerne da questão institucional na região. Mas atualmente existe uma grande balbúrdia, ninguém sabe direito quais são as regras, nem mesmo quem são os proprietários das terras.

Desafios - A senhora citou os assentamentos na região. Eles têm se mostrado ineficientes, com altas taxas de evasão. O que está acontecendo?

O modelo tradicional de assentamento rural, aquele em que cada família ganha um pedaço de terra para trabalhar isoladamente, não funciona na Amazônia. É obsoleto e não atende nem às necessidades ambientais nem ao povo da região. É uma atitude perversa pegar um monte de gente vulnerável, despreparada, e mandar para uma região sem estradas, sem infra-estrutura, sem informação, sem nada. É por essa razão que a evasão dos assentados ao redor de Santarém, no Pará, chegou a 70%. Não é porque exista má vontade ou preguiça dos assentados, mas sim porque não dá para produzir desse jeito, não dá para trabalhar no meio do nada, de forma isolada. Até agora o governo não deu o apoio necessário e não vai dar, simplesmente porque não é possível em termos operacionais. Imagine que estão planejados hoje 177 assentamentos ao longo de uma só estrada, a Cuiabá-Santarém. São milhares de pessoas, sendo impossível dar estrada, luz, assistência técnica, estrutura de comercialização para todo mundo. Os assentados ficarão lá alguns meses e depois irão embora, e quem ficará com as terras, como acontece há décadas, serão os grandes agricultores.

Desafios - E como resolver esse impasse?

Eu tenho uma proposta polêmica, mas que, na minha cabeça, depois de tudo o que eu já vi, faz todo o sentido. Proponho que sejam implementadas grandes fazendas de colonos, num esquema cooperativo. Elas precisam ser enormes, nas proporções amazônicas, para possibilitar produção em escala Em vez de colocar cada assentado num pedaço pequeno, em que ele só poderá utilizar 20% da área, conforme a legislação ambiental, será melhor partir para unidades maiores, exploradas cooperativamente. Numa grande propriedade, usar 20% da área permitirá uma grande produção, muitas vezes maior do que se fossem utilizados os pedacinhos de cada assentamento individual Além disso, esse modelo facilita a organização de infra-estrutura, ao criar um pequeno pólo populacional com luz, esgoto, escola e apoio técnico. Não se deve dar o título de propriedade da terra, pelo menos por um tempo, mas apenas garantir a concessão. A escolha das áreas deve ser precedida de um estudo de mercado, estabelecendo o que deverá ser produzido, dependendo da existência de condições de comercialização. Com pouco mais de uma dúzia dessas fazendas na região da mesma BR-163, as coisas estariam mais bem equacionadas, elas seriam capitalizadas em pouco tempo e assim se poderia enfrentar muito melhor o problema da invasão da pecuária e da soja sobre a floresta. Os assentados, trabalhando cooperativamente, poderiam ganhar algum dinheiro e o governo teria, assim, condição de dar apoio a uma dúzia de núcleos desse tipo, em vez de 200 assentamentos com milhares de pedaços de terra dispersos, que acabariam produzindo apenas para a subsistência. E, de quebra, a área protegida por lei não seria difusa em pequenos pedaços de cada assentado, continuaria sendo protegida, mas estaria interligada em apenas uma fazenda.
Desafios - As organizações não-governamentais (ONGs), tanto nacionais quanto internacionais, ocupam importante espaço no cenário ambiental brasileiro. Elas conseguem exercer forte influência no campo das políticas públicas e mobilizar a população. A senhora já questionou em seus livros o papel de tais organizações. Na sua opinião, o que deve ser observado no trato com elas?
Acredito que precisamos sempre prestar atenção ao papel dessas organizações no que diz respeito à geopolítica. Algumas entidades, muitas delas bastante fortes e representativas de interesses internacionais, fazem de certa forma um jogo anti-Estado. Elas pregam um pouco a tese de que o Estado diminuiu e que são elas que precisam ocupar o espaço deixado, como as salvadoras da pátria. Na verdade não foi nada disso. Os Estados não acabaram, estão aí definindo políticas e muitos deles têm braços que apóiam aberta ou secretamente as grandes ONGs e organismos multilaterais, para financiar políticas em outros países em desenvolvimento. As ONGs acabam sendo ferramentas de influência direta de alguns governos sobre outros. Também chamo a atenção para o fato de que muitas vezes são essas organizações e organismos que ditam a agenda de discussão. E quem define a agenda tem o poder, porque o que entra em discussão pode ser definido e o que não entra não tem nem chance. São as regras do jogo.

Desafios - E o Brasil tem conseguido influenciar mais a agenda ambiental de discussão?

Eu diria que o Brasil, durante muito tempo, teve uma atitude até infantil nesse ponto. As posições eram radicais: ou se era totalmente contra o imperialismo americano ou era uma posição de "venha e pegue tudo". Agora estamos aprendendo a negociar, o que é fundamental. Porque a cooperação técnica é importantíssima. Mas ela precisa ser negociada e discutida, e nós aprendemos muito sobre isso nos últimos tempos.

Desafios - Qual o seu sentimento sobre o futuro ambiental do Brasil, sobretudo da Amazônia? É otimista ou pessimista?

Eu gostaria de manter o meu histórico otimismo, especialmente porque tenho trabalhado bastante em consultorias para implementar novos modelos de uso da floresta amazônica. Mas às vezes me sinto um pouco pessimista. O importante é que há um grande debate sobre o assunto. O processo demanda debate, criatividade e repercussão, para que consigamos mostrar a quem decide o que é mais importante para aquela região. Eu amo muito aquilo tudo, amo muito o Brasil. Estou cheia de idéias, e isso é que é bom, é o que importa.
Imagem: Convite da 2ª mostra da Exposição Itinerante "A amazônia é nossa"
Grupo Arte e Artistas do orkut

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

A Amzônia é Nossa - Ambiente do Meio





Nossos novos parceiros: o grupo de artistas plásticos e visuais “Arte e Artistas” é formado por 25 participantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.Sua criação data do ano 2007 e foi a partir de um site de relacionamentos (Orkut), que proporcionou o encontro, a formação e o desenvolvimento desse projeto coletivo.

A proposta do grupo é fazer exposições itinerantes pelo Brasil, incentivando mostrando e provocando discussões, através de nossa arte, assim colhendo e absorvendo opiniões sobre temas e problemas atuais de nosso país, divulgando assim nosso trabalho e mostrando que, apesar da distância que nos separa ,foi possível nos unirmos para defender uma questão social de extrema importância.

O tema escolhido, para nossa primeira mostra, foi “A Amazônia é nossa”, pois não podemos ficar indiferentes ao que vem acontecendo com essa região, tão importante para os brasileiros e para o nosso planeta.

A exposição trata principalmente da riqueza ambiental e cultural que a Amazônia possui, também da necessidade urgente de despertar a conscientização ambiental nos pais, incentivando assim a preservação deste patrimônio que é tão cobiçado por estrangeiros, grupo diverso e fazendeiros, todos visando apenas os lucros que a região oferece facilmente. Enfim os artistas mostram como sentem esse problema e através de suas obras, tentam provocar uma resposta do público.

Os objetivos do grupo são:

Incentivar a preservação e a conscientização ambiental.

Levar à discussão o que está acontecendo nessa região, criando grupos de estudos e de debates no local da exposição.

Mostrar o sofrimento eminente da floresta, instigando o espectador a refletir e identificar essa destruição onde o grito é: todos precisam lutar para que isso pare.

A exposição é composta por 33 obras, onde cada artista interpretou o tema de uma maneira diferenciada, mostrando tanto as belezas como também os problemas da floresta Amazônica.

Foram utilizadas diferentes técnicas de elaboração nas obras, permitindo o uso de materiais reciclados. Nas pinturas existem colagens com diversos materiais: sementes de árvores (típicas da Amazônia), colagem de pó-de-serra e pó de minério, texturização etc. Alguns usaram técnica mista de pintura, tendo como suporte tela e MDF recortado, alem de algumas artes digitais. As tintas usadas são: acrílica, óleo e tinta para bico de pena. As dimensões das obras estão entre 0,50 X 0.60 cm até 1,00 X 1,00 cm.

Imagem: Mostra A Amazônia é Nossa - Beatriz Mignoni
Fonte:http://ambientedomeio.com/2008/08/31/mostra-a-amazonia-e-nossa/

A Amazônia é nossa - por Vininha F. Carvalho


Projeto "A Amazônia é nossa" por Vininha F. Carvalho





O grupo de artistas plásticos e visuais “Arte e Artistas” é formado por 25 participantes de diversas regiões do Brasil e do exterior. Sua criação data do ano 2007 e foi a partir de um site de relacionamentos (Orkut), que proporcionou o encontro, a formação e o desenvolvimento desse projeto coletivo.

A proposta do nosso grupo é fazer exposições itinerantes pelo Brasil, incentivando mostrando e provocando discussões, através de nossa arte, assim colhendo e absorvendo opiniões sobre temas e problemas atuais de nosso país, divulgando assim nosso trabalho e mostrando que, apesar da distância que nos separa , foi possível nos unirmos para defender uma questão social de extrema importância.

O tema escolhido, para a primeira mostra , foi "A Amazônia é nossa", pois não conseguiram ficar indiferentes ao que vem acontecendo com essa região, tão importante para os brasileiros e para o nosso planeta.

A exposição trata principalmente da riqueza ambiental e cultural que a Amazônia possui, também da necessidade urgente de despertar a conscientização ambiental no Pais, incentivando assim a preservação deste patrimônio que é tão cobiçado por estrangeiros, grupo diversos e fazendeiros, todos visando apenas os lucros que a região oferece facilmente. Enfim os artistas mostram como sentem esse problema e através de suas obras, tentando provocar uma resposta do público.

Objetivo:

Incentivar a preservação e a conscientização ambiental. Levar à discussão o que está acontecendo nessa região, criando grupos de estudos e de debates no local da exposição. Mostrar o sofrimento eminente da floresta, instigando o espectador a refletir e identificar essa destruição onde o grito é: todos precisam lutar para que isso pare.

A exposição é composta por 33 obras, onde cada artista interpretou o tema de uma maneira diferenciada, mostrando tanto as belezas como também os problemas da floresta Amazônica.

Materiais empregados:

Foram utilizados diferentes técnicas de elaboração nas obras, permitindo o uso de materiais reciclados. Nas pinturas existem colagens com diversos materiais: sementes de árvores (típicas da Amazônia), colagem de pó-de-serra e pó de minério, texturização etc. Alguns usaram técnica mista de pintura, tendo como suporte tela e MDF recortado, alem de algumas artes digitais. As tintas usadas são: acrílica, óleo e tinta para bico de pena.

Montagem:

As obras podem ser expostas em molduras sobre suportes ou cavaletes, ou diretamente nas paredes. As dimensões das obras estão entre 0,50 X 0.60 cm até 1,00 X 1,00 cm.


EXPOSIÇÕES CONFIRMADAS:

Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul - SP
Local: IMES - Campus I e Campus II
Período: 01 a 31.10.08

Universidade Metodista - São Bernardo do Campo - SP
Período: 10.11 a 13.12.08




Fonte: Regiane Bassani

Imagem: "Mãe D'Água Sereia das Águas Amazônicas" - Sandra Honor
Fonte:http://www.revistaecotour.com.br/novo/home/default.asp?tipo=noticia&id=2176

Projeto "A amazônia é nossa"






O projeto de exposição itinerante “A Amazônia é nossa” , é composto por um grupo de 25 artistas plásticos de diversas regiões brasileiras, juntos formam o Grupo Arte e Artistas.

A proposta do grupo é fazer exposições itinerantes pelo Brasil, mostrando e provocando discussões, através da arte, sobre temas e problemáticas atuais do nosso País.

O maior desafio é montar um grande e inspirador atelier virtual, onde todos nós poderemos discutir nossos pontos de vista, opiniões, técnicas e os caminhos da arte.

O tema escolhido “A Amazônia é nossa” é bem interessante e faz parte de todos brasileiros que lutam e acreditam numa prosperidade para o futuro da Amazônia. Não podemos mais ficar indiferentes à floresta, nem ao pouco caso que se faz daquela região, afinal, guarda a maior biodiversidade do planeta, além de ser recurso fundamental para a sobrevivência dos ecossistemas.

Os artistas através de técnicas variadas, mostram como sentem esse problema em nosso País e o transmitem por meio de suas obras na tentativa de provocar o público, tentar chamar a atenção para os fatos, os acontecimentos, tocar quem aprecia as obras.

A mostra das artes está em andamento na Communication School (escola de inglês) situada em Mauá/SP, onde os alunos tem feito leituras das telas em inglês, estão gostando muito do trabalho.

Já há exposições agendadas na IMES - São Caetano do Sul (Secretaria da Cultura) e Metodista em São Bernardo do Campo.

A tela acima é de Rosy Gripp : ” Protesto em favor da Amazônia”.

Visite esse importante trabalho de preocupação, responsabilidade, beleza e compaixão com nossas matas e naturezas exuberantes. Veja mais telas nos blog´s do projeto:

http://expovirtualamazonia.blogspot.com/
http://amazonia.arteblog.com.br/

Apoiem os artistas brasileiros e pessoas que manisfestam seu apoio às causas ambientais.

Bruna Rosalem

fonte:http://www.tvecologica.com.br/
Imagem : Obra da mostra "A Amazônia é nossa" Rose Gripp

Sábado, 5 de Julho de 2008

a Amazônia é nossa








A Amazônia é nossa


Por Oscar Dias Corrêa em 23/03/2005


Fonte: Jornal do Brasil

Vi contristado, há pouco, as notícias de estudos que ambientalistas, sobretudo norte-americanos, veicularam, em Conferência sobre a Amazônia, a propósito da situação daquela parte importante do nosso território, e que muitos, muitíssimos, teimam em pretender internacionalizar.


Os argumentos, repetidos há dezenas de anos, são os mesmos: que a Amazônia é um 'pulmão da humanidade', uma 'reserva universal da biodiversidade' etc. etc. e que a exploração deve fazer-se em benefício da humanidade e tendo em vista o interesse das nações mais desenvolvidas, que não podem admitir se lhes sonegue o direito ao gozo das potencialidades e riquezas do território.
Nessa argumentação, aliam-se cientistas, políticos e empresários do mundo globalizado, orquestrados na pretensão de transformar a região em patrimônio universal a ser explorado pelas nações mais poderosas, em condições materiais de fazê-lo, ao contrário do que aconteceu com o Brasil até agora. Não conta, nem lhes interessa, a soberania brasileira sobre o vasto território, que vêem como simples detenção, afastável pelo interesse e pela força daquelas nações.


O mais esquisito é que indicam como o território deve ser explorado e os efeitos da exploração, mas não se dispõem a ajudar o país, que lhe tem o domínio, a tentá-lo, preferindo eles mesmos fazê-lo, como lhes aprouver e como se fosse coisa sua.
O mais grave é que, solidárias com essas teses, organizações não governamentais e missões ditas religiosas se prestam a colaborar na desnacionalização e internacionalização da área, atuando como ponta-de-lança de penetração e invasão, por todos os meios de que dispõem. E são todos, dos materiais (econômicos, financeiros) aos ideológicos.


Com isso, dia a dia, se faz mais grave a situação, tanto mais quanto temos exemplos recentes de ação, até mesmo militar, para atender aos interesses de certas potências. E, no caso da Amazônia, o interesse é generalizado, como generalizada é a convicção de que o Brasil não está em condições de dar-lhe o desenvolvimento necessário, nem de defendê-la dos que lhe ambicionam o domínio e o controle.


Estranhamente, não temos de nossos governos, até agora, uma palavra séria, ponderada e categórica que faça entender a esses interessados que a Amazônia não é terra de ninguém: tem dono e quem a defenda. Outra não pode ser a nossa posição declarada, clara e peremptoriamente.


A questão da soberania não admite tergiversações, conversações, menos ainda concessões. O Brasil deseja desenvolver (explorar conveniente e racionalmente) a região, mas não dispõe, no momento, de recursos imediatamente realizáveis que o possibilitem. Nem, infelizmente, de vontade política que o imponha, com a presteza e a eficiência política que exigem.


Não se pretende exploração irracional e predatória; e aceita-se a colaboração das demais nações que, se se interessam tanto por isso, devem dispor-se a colaborar, em condições que lhe autorizem, possibilitem e facilitem o cumprimento do anseio nacional e internacional.
Temo-lo dito há 50 anos, quando formulamos, na Câmara dos Deputados, requerimentos de informações ao governo sobre a atuação das missões ditas religiosas, na região, e as respostas oficiais confirmaram o abuso de sua atuação, com os riscos conseqüentes.
Ainda bem que o Sivam poderá defender a nossa soberania, impedindo o avanço dos invasores, aos quais deve ser oposto o argumento necessário, inclusive a força.
E ainda bem que, no Congresso, uma CPI começa a cuidar das ONG's, examinando-lhes a situação, para regulá-la dentro dos limites de nossa soberania.


Pena é que os recentíssimos acontecimentos na área ainda não tenham evidenciado a falta de efetiva proteção aos direitos individuais e coletivos e aos interesses nacionais. O que, entretanto, serviu para alertar o governo quanto aos riscos de não atender, imediatamente, à concretização das garantias inerentes ao império da lei. Que deve dar-se sem necessidade de fiscais do FBI.
É mais do que hora de provar que a Amazônia é nossa!


Oscar Dias Corrêa

Jurista e membro da Academia Brasileira de Letras




Imagem: Obras dos Artistas da Comunidade "Arte e Artistas" do Orkut

Amazônia do Brasil


Durante debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos,
o ex-governador do Distrito Federal e ex-Ministro da Educação, Senador Cristovam Buarque, foi
questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo
que esperava a resposta de um humanista
e não de um brasileiro.

Segundo Cristóvão, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como
o ponto de partida para a sua resposta:

" De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria
contra a internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o
devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação
ambiental que sofre a Amazônia,
posso imaginar a sua internacionalização,
como também de tudo o mais que tem
importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma óptica humanista,
deve ser internacionalizada, internacionalizemos
também as reservas de petróleo do mundo inteiro.
O petróleo é tão importante para o bem-estar
da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro.
Apesar disso, os donos das reservas sentem-se
no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo
e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos
deveria ser internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos,
ela não pode ser queimada pela vontade de um dono,
ou de um País.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego
provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na
volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo.
O Louvre não deve pertencer apenas a França.
Cada museu do mundo é guardião das mais
belas peças produzidas pelo gênio humano.
Não se pode deixar esse patrimônio cultural,
como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado
e destruído pelo gosto de um
proprietário ou de um País.

Não faz muito, um milionário japonês,
decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre.
Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas
estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns
presidentes de países tiveram dificuldades em
comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.

Por isso, eu acho que Nova York, como sede das
Nações Unidas, deve ser internacionalizada.
Pelo menos Manhatan deveria pertencer
a toda a Humanidade.
Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres,
Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade,
com sua beleza específica, sua história do mundo,
deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia,
pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais
nucleares dos EUA.
Até porque eles já demonstraram que são capazes
de usar essas armas, provocando uma destruição
milhares de vezes maior do que as lamentáveis
queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência
dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar a
s reservas florestais do mundo em troca da dívida.

Comecemos usando essa dívida para garantir
que cada criança do mundo tenha possibilidade
de COMER e de ir a escola.
Internacionalizemos as Crianças tratando-as,
todas elas, não importando o país onde nasceram,
como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazônia.

Quando os dirigentes tratarem as crianças
pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade,
eles não deixarão que elas trabalhem quando
deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização
do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar
como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa.
Só nossa ! "
imagem: obras dos Artistas da Comunidade "Arte e Artistas" do Orkut